Páginas

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Direitos e deveres

Em 19 de janeiro passado, os rodoviários de Porto Alegre protestaram por melhores salários [http://bit.ly/19PnJwb].
A esses dias, o Movimento Passe Livre já quebrava São Paulo em favor de sua causa mesquinha [http://glo.bo/1vS4g2j].
Em 19 de fevereiro, o prefeito de Porto Alegre sancionou o aumento das tarifas, que, além da taxa de incompetência do cartel público-privado instalado, traz em si as gratuidades e isenções e os melhores salários pedidos pelos rodoviários [http://bit.ly/1vnjlOh].

Em 24 de janeiro, a Zero Hora publicou artigo meu sobre a questão e suas nuances.



Está aberta a temporada de caça aos direitos em Porto Alegre. O primeiro passo foi dado por motoristas e cobradores de ônibus, desejosos de melhor remuneração. Nada mais justo – a inflação sufoca a todos. Entretanto, cada direito traz consigo uma proporcional carga de deveres e entra em conflito com outros direitos. O direito de protestar da categoria não deveria sobrepor-se a seu dever profissional nem atrapalhar o direito de ir e vir da população. Já o direito de melhores salários suscita o dever de maiores gastos por parte dos empregadores, o que há de acarretar em aumento das tarifas. E eis que surgem ávidos caçadores de direitos: o movimento (supostamente) estudantil de esquerda.
O iminente reajuste nas passagens dos coletivos municipais levará de volta às ruas grupos munidos de máscaras, bombas caseiras, paus e muita falta de noção. Bloquearão ruas da capital gaúcha e depredarão vitrines – “é por um mundo melhor”, dizem. Lutarão contra o aumento e, sobretudo, pelo passe livre para estudantes, desprezando (por estupidez ou ignorância, ou por ambos os motivos) que esse direito geraria imensos deveres a todo o restante da população. Para alguns não pagarem, todos os demais pagarão muito mais do que deveriam. A conta é simples, mas onerosa para os trabalhadores – justamente aqueles que os manifestantes dizem defender.

Pagamos impostos altíssimos, que elevam nossa expectativa de retorno do poder público. Porque 40% de tudo que produzimos e negociamos são retidos pelos governos, sentimo-nos à vontade para esperar pela providência estatal. É tão justo quanto ineficaz, como se vê em praticamente todos os setores do serviço público (à exceção da Receita, é claro). Mas a saída não é depredar a cidade e impedir que trabalhadores cheguem em casa no fim do dia. Devemos cobrar de governantes e legisladores mais eficiência e menos demagogia. Governos não nos dão nada de graça. Tudo que deles recebemos vêm dos tributos que pagamos. Receber passe livre no transporte coletivo nada mais é do que pagar muito caro para políticos fingirem que estão prestando um serviço gratuito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário