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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Balidos histéricos



Eis o que fazem as histerias politicamente corretas estabelecidas pela esquerda e reproduzidas por quase todos (inclusive por muita gente boa): segregam, desnorteiam e enlouquecem.
Assisti o*** final do Masterchef Brasil. Sua apresentadora, Ana Paula Padrão, conseguiu transformar algo divertido e emocionante em cousa irritante, ao ressaltar por repetidas vezes o orgulho que sentia por ver duas mulheres na prova final da competição. Destacou que as moças eram, sim, merecedoras daquele espaço. Mas, e quem disse que não o seriam? Seu discurso denunciou seu pensamento torto, eivado de preconceitos (Isso mesmo!): homens e mulheres são iguais e merecem igualmente as mesmas oportunidades. Não, homes e mulheres não são iguais (graças a um pote, Padrão não demoraria a descobri-lo). Não, homens e mulheres não merecem as mesmas oportunidades. Mas não porque homens são melhores que mulheres. Homens e mulheres não merecem as mesmas oportunidades porque as pessoas em geral não merecem as mesmas oportunidades. Merecemos as oportunidades não porque somos homens ou mulheres, mas porque fazemos por merecê-las. Exatamente por isso as finalistas do Masterchef Brasil estavam ali, porque superaram diversos adversários (Homens? Mulheres? Tanto faz!), segundo avaliações meritocráticas dos jurados. Esse orgulho besta de Ana Paula Padrão só se justificaria num concurso de carregamento de sacos de cimento. Se chegamos num ponto em que tais obviedades devem ser relembradas, talvez seja tarde demais para pretender viver conforme essas simples verdades. Pois, com o exposto, pressupõe-se que a jornalista lamentaria o machismo triunfante se fosse homem um dos finalistas de seu programa, ou, mutatis mutandis, lamentaria a homofobia ou o racismo caso um empresário demitisse um funcionário gay ou negro não por ele ser gay ou negro, mas por ser incompetente (e quem vive a vida real bem sabe que a incompetência é profícua em ambos os lados da navalha e em todas as pigmentações de pele).
Em verdade, durante o televisivo, antes de Padrão começar a "empoderar" as mulheres, eu sequer percebera que havia qualquer simbolismo na situação. Para mim, chegaram à final duas grandes cozinheiras, ponto. E é precisamente isso que, amadores ou profissionais, temos de ser: excelentes naquilo que fazemos. Mas não é assim que pensam os histéricos de plantão. Eles não viam duas chefs de excelência na tela da tevê; viam duas mulheres dando um tapa na cara da sociedade. Da mesma forma, esses amalucados não vêem o presidente americano ou a presidente brasileira como políticos com imensas responsabilidades; vêem um presidente negro a e uma presidente mulher a mostrar para o mundo como se faz (na mesma medida, entendem que criticá-los com base em análises políticas não passa de esparrela para o racismo e o sexismo).
Depois de a apresentadora haver mencionado uma ou duas vezes o fato de serem mulheres as finalistas do programa, aquela que seria a vencedora da disputa teve de recorrer à força masculina de seu pai para abrir um pote. Ana Paula Padrão não percebeu o simbolismo disso, pois continuou ressaltando o poder feminino; eu percebi, mas juro que não desejava perceber. De coração, queria que o único sentimento que me sobreviesse fosse o de enternecimento, por ver um pai que socorre a filha em apuros. Simples assim. Entretanto, por culpa de um discurso tão vazio quanto aclamado, tive de perceber que o fato de o pai da competidora abrir um pote para ela era mais do que um socorro paterno: era a natureza avisando a Padrão que não, homens e mulheres não são todos iguais, que cada um tem características específicas, algumas boas ou más em si, outras boas ou más dependendo da situação (como a força suficiente para abrir uma lata).


Não tenho maiores informações sobre a apresentadora do Masterchef Brasil, mas minha impressão é de que ela é mera reprodutora desse discurso mesquinho e insustentável. É possível até que ela não seja uma idiota esquerdista, mas esteja apenas acompanhando o rebanho em seu confortável trote rumo ao abatedouro – e, como cada uma de todas as outras ovelhas, imagina-se absolutamente original, autêntica e independente, sem perceber que seus balidos histéricos são uníssonos e sem sequer desconfiar da origem dos discursos que reproduz.
Graças aos sevandijas das minorias, vivemos na loucura de não poder simplesmente admirar duas competidoras demonstrando suas habilidades. Graças à ideologização barata de tudo, como a que fez Ana Paula Padrão, não podemos tão-somente nos emocionar com um pai aflito que ajuda uma filha. Tudo é empoderamento, tudo é discurso, tudo é poder, tudo é opressão. Tudo isso tem enchido o saco.



*** Não encerrei a questão, mas, após muitas considerações, concluo que a regência corrente de “assistir” é equivocada. A forma “assisti à/ao”, ou seja, com a preposição, parece-me mais adequada para a assistência a seres animados, não à assistência de coisas. Ora, se eu presto assistência a alguma pessoa, eu “assisto à pessoa” e, portanto, assisto programas de televisão, não “assisto a programas de televisão”. O dativo, obrigatório na língua espanhola para casos pessoais, caiu em desuso no português. Por isso, não “avisamos a alguém”, como deveria ser, mas “avisamos alguém”, o que não faz sentido. (Aceito contribuições à resolução desse problema. Algum professor de latim pode ajudar-me.)



Um comentário:

  1. Colombo Mendes, o Brasil virou um país de idiotas, desculpe. O pai da moça foi aplaudido por ter aberto o pote. Não me admiro. Hoje em dia se aplaude o que faz e o que não faz sentido como: beijo gay, velório, enterro de morto por bala perdida e achada no corpo do morto, roubalheira de dinheiro público (desde que o ladrão seja do PT), discurso ininteligível de candidato, programa eleitoral de fantasia e outras excrescências que no momento me escapam. Este é um país que vai pra frente...em direção ao precipício. Aplaudindo.

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