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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Em luta contra a realidade

Como um bom "coxinha", "opressor", "fascista" e "reaça", estou trabalhando na sexta-feira à noite, enquanto aquela gente linda, revolucionária, do bem, está por aí, chapando o melão por um mundo melhor. De repente, chega a mim, desde a sala, uma voz afetada a latir algo assim: "PELO CONTROLE DAS FÁBRICAS E DO CAMPO PELOS TRABALHADORES!". Era um candidato a deputado estadual pelo Partido Comunista Brasileiro.
Se por aqui 1 mais 1 fossem 2, só ouviríamos esse tipo de besteira em documentários. Socialistas e comunistas, os irmãos ricos, chiques e bem-sucedidos de nazistas e fascistas, mataram mais de 100 milhões de pessoas e destruíram talentos, obras de arte, bibliotecas e países. Entretanto, seguem por aí, firmes e fortes, a fazerem campanha política paga por nós, contribuintes, enquanto deveriam habitar a lixeira da história, junto com seus irmãos ítalo-germânicos.
Ademais, o mais importante a ressaltar é que esse tipo de discurso, em favor dos trabalhadores, é sustentado, em geral, por gente que não trabalha.
Os maiores supostos defensores dos trabalhadores, dos operários e dos campesinos são professores universitários, sindicalistas e massa de manobra de partidos políticos. Ou seja, gente que, em geral [é óbvio que há exceções!] sequer sonha com o que venha a ser a realidade.
Ou nunca trabalharam ou ignoram completamente a experiência laboral que tiveram. Caso contrário, saberiam que o trabalhador médio quer mais é ser aquilo que chamam de “explorado”.
A imensa maioria dos trabalhadores quer cumprir seu horário e esquecer-se dos problemas depois de bater o cartão, de preferência tomando uma "gelada". Já fui office boy em fábrica e ouvia, horrorizado (esquerdista que eu era), meus colegas "peões" dizerem que queriam mais é ter um chefe, alguém que desse as ordens e assumisse a responsabilidade pela produção, pois desejavam apenas cumprir suas tarefas e ir embora sem problemas.
Eu tinha 15 anos e ouvia de meus professores do ensino médio que os burgueses, os patrões, os donos dos meios de produção eram uns malditos exploradores, que passavam a vida viajando, freqüentando restaurantes badalados e fazendo festa. Num turno eu ficava empolgado, cheio daquele furor juvenil que a esquerda bem sabe explorar, após ouvir o belo discurso de meus professores; noutro turno ficava confuso, atônito, ao saber que o dono da empresa em que eu trabalhava fora o primeiro a chegar e seria o último a ir embora, certamente cheio de problemas na cabeça, tomado pela gravidade de ter de preocupar-se com produção, comercialização, legislação trabalhista, legislação tributária e toda sorte de burocracias a que um empreendedor brasileiro está submetido.
Depois, na faculdade, segui ouvindo que os donos dos meios de produção eram uns malditos exploradores, que passavam a vida viajando, freqüentando restaurantes badalados e fazendo festa. Mas aí eu já estava vacinado pela realidade. Aprendera – trabalhando e, depois, empreendendo – que o empresário brasileiro é praticamente um herói, que sustenta a si mesmo e aos seus com muita dignidade, além de garantir o sustento de muitas outras famílias.
Já os professores universitários, os sindicalistas e demais “intelectuais” de esquerda, bem, esses são uns exploradores malditos, que vivem à custa do erário ou de contribuições compulsórias, produzem absolutamente nada e ganham dinheiro para falar mal de quem os sustenta pagando impostos. Ademais, passam a vida viajando, freqüentando restaurantes badalados e fazendo festa – e cacarejando por direitos inviáveis de trabalhadores que não existem.

Um empresário é um sujeito que ganha a vida organizando a atividade econômica. Ele acumula um capital, investe, ganha, paga suas dívidas para com os fornecedores, os empregados e o Estado, e no fim, se todo dá certo, tem um lucro. A quase totalidade do lucro é reinvestida no mesmo ou em outros negócios. Uma parte ínfima ele pode gastar em benefício próprio e da família. Se seu negócio é muito, muito próspero, mesmo essa parte ínfima basta para que ele compre mansões, iates, jatinhos e jatões, carros de luxo, cavalos de raça, e tenha, se é do seu gosto, múltiplas amantes. Em geral ele se contenta com muito menos.
Um político de esquerda é um sujeito que ganha a vida tentando jogar os empregados contra os empregadores. Ele mostra aos operários os aviões, os cavalos de raça e os carros de luxo do patrão e grita: "É roubo!" No começo ele faz isso de graça. É um investimento. Assim como o empresário investe dinheiro, ele investe insultos, gestos, caretas de indignação, apelos à guilhotina. Em troca, dão-lhe dinheiro. Ele vive disso. Quando alcança o sucesso, pode dispor de mansões, iates, jatinhos e jatões, carros de luxo, cavalos de raça e amantes em quantidade não inferior às do mais próspero capitalista.

Olavo de Carvalho (http://www.olavodecarvalho.org/textos/dutra.htm)

4 comentários:

  1. Muito bom seu artigo meu caro. A luta contra a realidade tem resultado na inversão de valores, onde as pessoas não conseguem mais distinguir o certo do errado. Um exemplo simples: a turminha revolucionária enxerga a reação policial contra a criminalidade e insurgência como algo abominável, punível com o mais alto grau de rigor mas não veem problema algum no assassinato de 50 mil brasileiros por ano.

    Entro em depressão só de pensar nestes disparates.

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    1. Tem razão, caro Anônimo.
      As inversões são o cerne do problema.
      Obrigado pelas considerações.

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  2. O blog é tudo de bom, sou a mais nova seguidora!!!

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