Páginas

segunda-feira, 14 de abril de 2014

"Eu era estuprador, mas as plaquinhas me curaram"

Para a esquerda iluminada – que, de dentro dos gabinetes universitários e das editorias de jornais, acha que todo pobre deveria ser um revolucionário babando ressentimento e engajamento – sou um pária, um traidor, posto que, originalmente semi-favelado, advindo de uma zona miserável de uma cidade sacal, decidi ser um legítimo coxinha: trabalhador, estudioso e frequentemente de banho tomado. Mas você, eu e os pobres do mundo todo sabemos que sou nada de mais, apenas mais um, mera parte de uma imensa maioria de desafortunados que ganha a vida honestamente.
Entretanto, alguns desabastados agem conforme as fantasias esquerdistas, de que a violência e a delinqüência são frutos da pobreza. Tenho um e outro amigo da época de escola que representam essa classe tão amada pela esquerda, a dos pobres-violentos. Acabo de conversar com um desses ex-colegas. Ele teve algum êxito na vida bandida e, há algum tempo, mora no Rio de Janeiro. Hoje, contudo, vive uma intensa e triste crise. Veio ao Rio Grande do Sul visitar família e amigos e aceitou conversar e gravar depoimento.

Belas e engajadas feministas, como Lola Aronovich, com suas persuasivas plaquinhas, têm despertado verdadeiros dramas existenciais em homens outrora violentos e machistas.

Leia o impressionante relato de um ex-arrombador, ora em processo de cura, graças às campanhas feministas na web. Segue a transcrição ipsis litteris do que ouvi.


***

O que eu ando fazendo? Olha, vou primeiro dizer o que eu fazia. Eu assaltava à mão armada. De vez em quando, matava. Faz parte. Fazer o quê? Só que aí o governo veio com a Campanha do Desarmamento. Rapaz, aquilo me tirou o sono! Sabe o que é ser metralhado por publicidade oficial te dizendo para entregar tuas armas? Que drama, parceiro! O inferno! Minha consciência foi ficando pesada, meu sono foi ficando leve, não pregava os olhos por mais de dez minutos sem que sonhasse com aquelas publicidades governamentais fortíssimas, persuasivas... Era "Meu filho achou minha arma. Ele só tinha 8 anos de idade" para cá, “Sou da Paz” para lá... Puta que pariu! Cheguei a ajuntar meus ferros para levar na DP... Mas aí eu me dei conta de que não tenho filho. Ha ha! Depois, me dei conta também de que nenhuma arma era minha à vera, era tudo roubado, com a numeração raspada. Ha ha! Foda-se o governo! Foda-se o sistema! Mas, ufa, foi por pouco.
Só que sempre tem um arrombado dum filho da puta desequilibrado pra invadir escolinha e matar geral. Malandro não agüenta um chifre, umas dívidas, uma briga no trabalho e já põe pra fuder. Palhaçada! Por causa de um merda dessas, de um olho-do-cu que passou 11 na bala ali no Realengo, aí o bicho pegou. Pensei que geral viria com campanha pra colocar bandido na cadeia, pra armar professores, pra tocar o puteiro na vida do profissional do achaque. Quem dera! O que veio foi muito pior...
Imagina, parceiro, geral saiu pra rua tudo de branco, com flores brancas, roupas brancas, bandeiras branca, com velas acesas, soltando pombas da paz. Puta merda! Foi demais para mim. Não dormia mais, não comia mais, não fazia mais minha parte pela redistribuição de renda sem pensar naqueles cartazes: "Queremos paz!", "Até quando?", "Chega de violência!". Mas não era só isso. O governo entrou na jogada e prometeu medidas enérgicas. Putz! Aí sim, aí eu tremi. Sabe o Rudimar? O Rudimar deu uma viajada: "Que será que o governo vai fazer? Vai liberar a polícia pra sentar a borracha em nós? Vão deixa a gente apodrecer na cadeia?". Pára, Rudimar! Disse pra ele que ia ser muito pior. E foi! Requentaram a Campanha do Desarmamento, cara! Porra! Fui no psicólogo por anos para me livrar do drama existencial de ter arma enquanto o governo dizia que não era pra ter e, quando tava me recuperando, voltam com isso! Mas tinha mais: parecia que o governo ia proibir a violência! O inferno! Puta que pariu! Por isso tudo aí, o governo pedindo pra largar as armas e geral pedindo paz e dizendo que chega de violência, por isso aí eu parei com o crime. Lógico, né!? Entreguei minhas armas... (Quê? Sim, eram roubadas, mas faz de conta que eram minhas...) Entreguei minhas armas pra polícia e parei de assaltar e matar.
Vai vendo!
Comecei a trabalhar. Loucura, né? Tá, não TRABALHAR, mas é tipo isso. Tu tira onda porque depois que saímos do ginasial tu sempre trabalhou... Mané! Te falei que redistribuir renda era muito mais daora! Bom, comecei com isso aí de trabalhar. Entrei pra uma ONG que divulga o desarmamento. A gente pega as armas que geral entrega e vende pra outros países, tipo Colômbia. Pô, genial, além de ajudar o povo ainda ganhamos uns trocos! Só que minha vida tava incompleta. Sem minhas armas, sem violência, tinha que fazer algo.
Comecei a estuprar. Quer dizer, comecei a estuprar com frequência, antes era só de onda.
Que idéia!
Só pegava as top, gostosonas, cavalas, cheirosas, grã-finas... Que maravilha! Mas, porra, sabe o que aconteceu? As redes sociais... Ah, essas porcarias... Primeiro, começaram a postar fotos dumas gordas peludas com cartazes "Meu corpo minhas regras", "Minha saia curta não é um convite". Putz, aquilo me fez parar para pensar! O corpo delas não era meu, cara! Pô, não tava certo estuprar, então! Mas, tá, era umas pelancudas ridículas, que ficassem com seus corpos e suas regras. A saia curta das gordas não era um convite? Pô, ainda bem! HA HÁ! Continuei metendo as gostosas.
Mas aí esses dias divulgaram uma pesquisa, não entendi bem, era uma pesquisa que dois terços eram mulheres mas que diziam que mulheres que se vestem que nem puta merecem ser estupradas. Puta que pariu! Aí começou o fim da minha festa. Uma cacetada de foto de mulheres, agora as gostosas e as comíveis também, não só as barangas, começaram a colocar um monte de foto na internet com plaquinhas dizendo "EU NÃO MEREÇO SER ESTUPRADA". Cara, me diz, como eu ia suportar isso? Não sei o que seria pior, essas manifestações ou se as mina andassem tudo armada e metessem bala em caralho de estuprador. Porra, cara, porra, isso fica me martelando a cabeça... As mulheres não merecem ser estupradas, as mulheres não merecem ser estupradas, as mulheres não merecem ser estupradas... Tava com isso na mente há dias. O inferno! Mas o negócio esfriou e eu fiquei mais tranquilo até. Continuei estuprando, mas com o caralho a meio-mastro, sem muita empolgação. Até que hoje eu vi isso aqui:
  


E ainda tive que ler:
Paolla Oliveira decidiu pintar apenas uma unha de cada mão com esmalte branco para pedir paz. A atriz postou uma foto em suas redes sociais, na manhã deste sábado, exibindo o visual e, na legenda, explicou seus motivos: “Pintei uma unha de branco por que as mulheres pedem paz! Chega de violência!”
Que merda, cara! Não aguentei! Pô, alguém aguentaria toda essa pressão, toda essa manipulação psicológica, todo esse apelo emocional?
O que eu fiz? Como assim? O que tu faria, cara, o que tu faria com tanto #EuNaoMerecoSerEstuprada, com tanta foto de pelancuda pelada, com iniciativas engajadas e conscientes como essa da atriz? Fiz o óbvio: parei de estuprar! Chega. Elas não merecem. Me dei conta. Finalmente! Essas campanhas aí me fizeram perceber que eu estava errado!
Tu não acredita em mim, né? Tá... Na verdade tentei estuprar mais uma hoje, antes de te encontrar. Mas sabe o que aconteceu? Eu vi que ela tinha as unhas brancas! E mais: ela tinha tatuado na raba #MeuCorpoMinhasRegras. Cara, cara! Eu chorei, sabia? Não consegui fazer nada, só chorar e pedir desculpas por séculos de patriarcado e machismo. Parei! Parei mesmo. Não tem como!**
Mas, e agora? Tiraram todas as emoções da minha vida!
Tá, até poderia voltar a assaltar, mas tá tão fácil, geral tá tão cagada, a polícia não pode encostar em nós... Qual a graça?
O Rudimar veio com uns papos de entrar pra um partido político. Perguntei "Mas isso não é coisa de almofadinha engravatado, Rudimar?" Ele me disse "Que nada, não tem idéia do puteiro que é aquilo lá" e jurou que chefe de boca-de-fumo é aprendiz de correria perto daquele pessoal. Acho que vou ver qual é. Dia 13, às 13 horas, vamo lá. Se pá me filio e já me candidato em outubro. Vamo junto?

** Parágrafo inspirado em comentário do coxinha Bruno Dornelles de Castro
 












5 comentários:

  1. Adorei a matéria. Torço para sua recuperação e recomendarei toda minha família a pintar a unha de branco. Quem sabe assim acabaremos com todos os bandidos deste Brasil.

    ResponderExcluir
  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    um bandido sentimental.

    ResponderExcluir