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quarta-feira, 12 de março de 2014

CoitadismoCard, seu Clube de Chantagens


Fonte: http://adlermedrado.com.br/blog/2013/12/16/porque-o-coitadismo-e-tao-difundido-no-brasil/


O Governo Federal deveria facilitar logo as coisas e instituir um sistema que computasse os dramas de cada cidadão, a fim de distribuir com mais justiça suas benesses. Com o CoitadismoCard, cada brasileiro seria cadastrado no Clube de Chantagens, que permitiria a auditores treinados analisar quem merece tais e quais vantagens.
Eu, por exemplo, declararia que estudo pela manhã e trabalho à tarde, à noite, de madrugada e nos fins de semana, além de advir de origem social humilde e ser cegueta. Acumularia bons pontos no meu cartão (nada de espetacular, talvez conseguisse entrar numa faculdade de Turismo ou de Serviço Social sem vestibular e ganhasse uma vaga de manobrista numa câmara de vereadores de minha escolha). Todavia, quando eu fosse resgatar meus prêmios, o auditor federal constataria que sou branco. Oh, infortúnio! No ato, minha pontuação, que era média, volver-se-ia negativa e eu passaria da lista de beneficiário para a de inadimplentes ad aeternum, com uma dívida histórica irrevogável. Minha única chance de não cair na marginália daqueles que nasceram naturalmente opressores e devedores (homens & brancos) seria dizer que sou um ativista contra a heteronormatividade, ao que o auditor chamaria o chefe da Repartição de Verificação do Oprimido Sexual, o Dr. Kid Bengala. Se tudo desse certo, se eu agüentasse o tranco e o verificador confirmasse minha declaração, minha pontuação seria elevada aos píncaros do coitadificação – “Vejam, ele dá o bumbum! Providenciem um PlayStation 4 para o coitado!”.

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No Estado de bem-estar social (social-democrata) ideal, a tributação é altíssima, mas há a contrapartida de um Estado eficiente e prestador de serviços públicos de excelência. Há um ponto negativo: o inchaço do Estado; e um ponto supostamente positivo (discordo de que o seja): a eficiência/providência estatal.
No liberalismo ideal, a tributação é baixíssima, pois o Estado é mínimo. Há um aspecto positivo: a tributação e o Estado são mínimos; e um ponto supostamente negativo (para mim não o é): o Estado deixa os cidadãos à mercê deles mesmos.
[O Estado socialista ideal não será descrito porque minha criatividade é limitada e esta parte do texto não é ficcional.]
O Brasil sintetiza tudo que há de pior nos dois modelos sumariamente expostos: o Estado é máximo em tributação, regulação e interferência e mínimo em resolução, providência e eficiência. Um desavisado que visualizasse somente o intenso e crescente fluxo de entrada do caixa da União, concluiria tratar-se de um país nórdico, cujo governo provê a seu povo nada menos que excelência em educação, segurança, saúde, previdência, infraestrutura, habitação, chocolates embaixo do travesseiro antes de dormir e massagens na glande. Outro desavisado que analisasse apenas os serviços prestados pelo governo brasileiro concluiria que a população deste país praticamente não paga impostos, de modo que o Estado não consegue oferecer nem os serviços mais básicos.
Nesse cenário tenebroso em que sobrevivemos, sendo taxados além do limite do suportável, é imperativo que aproveitemos o máximo que pudermos, não por oportunismo ou conveniência, mas por necessidade e até mesmo justiça -- desde que tenhamos claro que, e.g., a universidade pública não é gratuita de forma alguma, que as bolsas de estudo e linhas de crédito não são frutos da benevolência do governo e que o transporte-público-gratuito-de-qualidade é pago por todos (exceto por quem o reivindica, os militantes profissionais travestidos de estudantes, que não fazem nada de útil, nem seu próprio Toddy com leite quente). Contudo, o cidadão médio se vê cada vez mais impossibilitado até mesmo disso, ou seja, de aproveitar qualquer retorno que o governo lhe ofereça.
Aos poucos, o Governo Federal e as administrações estaduais e mesmo as municipais vão destinando as muitas benesses possíveis apenas aos poucos sócios do Clube de Chantagens do lobby politicamente correto. Se não, vejamos.
Privilegiar vestibulandos em função de sua cor de pele, pressupondo que estão menos capacitados para uma disputa meritocrática, não seria racismo descarado? Não por aqui... 

 

 


Somos todos iguais enquanto despejamos dinheiro no erário. Porém, na fila do parco reembolso, alguns são mais iguais que os outros.

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Em tempo: à incansável patrulha, é sempre importante esclarecer que não tenho absolutamente nada contra os indivíduos que compõem as [supostas] minorias citadas ou tangenciadas neste texto. Meu problema é com o ativismo oportunista, que caça vantagens em função de preferências que deveriam limitar-se à vida íntima das pessoas (no caso das “minorias sexuais” [sic], por exemplo) e de características físicas e naturais que não determinam nada per se (como a cor da pele ou o sexo do indivíduo). Para mim e para você que concorda que 1 + 1 = 2, oferecer vantagens competitivas a alguém em função de sua cor de pele é pressupor que quem possui essa cor de pele é menos capaz do que outros que possuem outras cores de pele. Para os militantes do outro mundo possível, em que desavenças se resolvem no paredão ou na Sibéria, as cotas raciais são o ápice da bondade humana, uma reparação histórica inegociável (como se não fossem negros os governantes africanos que capturavam seus conterrâneos e vendiam aos europeus e como se os brancos europeus não tivessem sido escravizados oito séculos antes por hordas islâmicas, repletas de negros do Norte da África).
Pressões grupais não são menos insensatas que disputas de torcidas de futebol organizadas, nas quais a "vitória" é de quem grita mais alto. É a guerra de todos contra todos, resultado direto da confusão social engendrada por doutrinas esquerdistas, que não enxergam seres humanos como seres humanos, mas como classes, gêneros, cores, religiões etc., que devem digladiar-se e levar adiante a dialética do ressentimento marxista. 
No fim, quem perde é sempre a principal minoria existente: o indivíduo (de qualquer cor, raça [sic], sexo, etnia etc.).

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