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sábado, 11 de janeiro de 2014

Carta aberta aos não-esquerdistas. Ou: O cegante brilho de nossas botas


<< Pois, se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode durar. E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode permanecer. [...] Ninguém pode entrar na casa do homem forte e roubar-lhes os bens, se antes não o prender; e então saqueará sua casa. >> Marcos 3, 24-25 e 27.

Aos amigos da direita, ou, melhor, da não-esquerda. Aos daqui, aos de lá, aos de toda parte (porque são muitos os tipos), mas, sobretudo, àqueles que se dão a censurar, diminuir e até ridicularizar aqueles outros que têm-se dedicado a fazer algo para que saiamos todos do duradouro estado de letargia em que nos encontrávamos. Àqueles que se imbuíram de uma superioridade tirada sabe-se lá de onde, que bem poderiam dedicar-se a orientar aqueles que julgam perdidos pelo afã de resolver a situação; que bem poderiam ajudar de alguma forma aqueles que julgam que põem os pés pelas mãos em suas ações, como organizar hangouts vários e protestar contra aqueles que sempre massacraram os não-esquerdistas impunemente (e.g., Porta dos Fundos e Ghiraldelli versus Sheherazade).
Aos gostosões intelectuais, aos aprendizes de fariseus, aos santarrões, aos caçadores de falhas alheias, aos próceres da prudência, enfim, a todos que resmungam entre os dentes que quaisquer formas de ativismo e militância são contra os preceitos conservadores. Peço permissão a toda essa gente para imbuir-me de uma autoridade tirada não sei de onde para dizer-lhes:




Concordo com vocês: são hangouts, palestras e entrevistas demais. Contudo (eis uma obviedade), há esquerdistas demais falando e escrevendo por aí; é preciso equilibrar essa conta. Seria maravilhoso se todos fossem capazes de dar contribuições como as do professor Olavo de Carvalho, do Padre Paulo Ricardo, do Mário Ferreira dos Santos, mas não é assim. Evidentemente, como estes, há apenas estes e mais alguns que ainda estão preparando-se, creio. A propósito, o conselho do professor Olavo, de que devemos estudar muito antes de sairmos por aí falando o que pensamos, é muito prudente e deve ser seguido por todos; mas a admoestação se refere à publicação de idéias próprias, inéditas, não para a reprodução do que aprendemos nem para a denúncia do que é errado.
Não precisamos sentirmo-nos prontos, maduros, tinindo, capazes de ensinar ao mundo o muito que aprendemos e que dominamos como poucos para que comecemos a falar de nossas próprias experiências, fartas de erros e percalços. Por isso mesmo, boa parte dos hangouts não são especificamente para vocês, superiores, que já têm muito mais a dar do que a receber. Por suas próprias características de tempo e abordagem, os hangouts, são para neófitos, servem para atrair e acolher aqueles que (como nós fizemos em algum momento) estão querendo ir além do que aprenderam nas escolas e do que lêem nos jornais. Esses hangouts têm algo de grupo de reabilitação, como alcoólicos anônimos. Ou, ainda, os hangouteiros talvez sejam como os moleques que vão para a rua entregar panfletos de restaurantes, de assistência técnica de ar-condicionado, de escolas de informática; o transeunte lê o panfleto, interessa-se e, depois, vai atrás do que é propagandeado. Não devem – nem têm como – concorrer com o Curso Online de Filosofia, por exemplo; devem, sim, introduzir os temas, acolher os recém-chegados e atrair os que olham com desconfiança. Também, servem os hangouts para quem os faz acontecer, no sentido de organizar o pessoal, de mobilizar e aglutinar forças.
Parafraseando o que diz C. S. Lewis no prefácio de “Cristianismo puro e simples”, quando propõe que é necessário defender primeiro uma causa comum para, só depois, aprofundar conhecimentos e expor e debater desavenças, eu diria que os hangouts, as palestras, as entrevistas e as reações aos ataques esquerdistas conformam uma grande sala-de-estar, pela qual se entra na residência e se passa; depois, os convidados e os anfitriões se recolhem aos seus aposentos e fazem o que deve ser feito. Vocês, superiores, já estão em seus aposentos, recostados em seus recamiers, trajando roupões de seda roxos, charutando e "eruditizando-se" deliciosamente, enquanto a esquerdalha prepara-se para invadir suas residências e  estourar-lhes os miolos (na verdade, não será necessário "invadir”; a esquerda entrará tranqüilamente nas casas dos gostosões da prudência). Enquanto limitam-se a estudar (o que em si não é ruim, obviamente) e resmungar em seus confortáveis aposentos, há hordas do lado de fora, querendo tomar a propriedade. Definitivamente, não há prudência [palavra adorada por vocês] em desprezar os poucos aliados que estão na sala-de-estar.
Além disso tudo, há a necessidade de equilibrar a balança da opinião pública, que há muito está capenga para a esquerda. Esses hangouts, essas entrevistas, a que vocês se recusam a participar (lamentavelmente, pois, não tenho dúvidas de que seus relatos de vida, de formação, serviriam a muitas pessoas) e que insistem em menosprezar, ajudarão a levar pessoas do “nosso lado” (seja lá o que isso for) para a mídia (o que já está ocorrendo, aliás; vide Felipe Moura Brasil na Veja); ajudarão a respaldar os “dos nossos” que estiverem por aí, escrevendo em blogs, jornais e revistas, falando na televisão e no rádio e ensinando em escolas e universidades.
Todos nós devemos, sim, fazer o que vocês fazem e nos admoestam que façamos: estudar a sério, reservadamente. Todavia, se fizermos “só” isso [entre aspas, porque, reconheço, já é muito], as esquerdas crescerão mais do que já cresceram e nos sufocarão mais do que já nos sufocam, ao ponto de que nem isso (estudar reservadamente) nos será permitido fazer. Esses muitos hangouts podem ser um meio de reconquistarmos o direito de dizer que um mais um é dois.
Como católico (dos piores), evito emitir opiniões contra o protestantismo; como um pretenso conservador, evito emitir opiniões contra os liberais (embora não consiga, muitas vezes; o que é um erro). Temos inimigos demais querendo nossas cabeças, de modo que não creio que devamos atacar aqueles que, em determinada especificidade, agem em desacordo com aquilo que julgamos correto. Precisamos de companhias para a viagem, pois a estrada é cheia de perigos. Por exemplo: há algum tempo, a cada quatro anos, vemo-nos obrigados a votar em gente que jamais votaríamos se vivêssemos em um cenário político minimamente decente. Se chegamos ao ponto de votar em sociais[socialistas]-democratas por pura necessidade de sobrevivência, por que, por outro lado, atacamo-nos mutuamente?
Espero, honestamente, poder viver o dia em que teremos tempo e tranqüilidade para discutir, entre nós, os erros e acertos dos mais variados pormenores, sobre os meios com que nos comunicamos, as maneiras como falamos etc. Contudo, por ora, estamos recém tentando falar.
Hoje, não posso dar-me ao luxo de chamar a atenção do soldado ao lado porque suas botas não estão bem lustradas. Depois que conseguirmos ao menos sair do buraco em que estamos escondidos, enquanto somos bombardeados por todos os lados, talvez eu pense nisso. Não é hora de ficar no buraco, admirando o brilho de minhas botas; a não ser que eu não me importe em ser soterrado pelo inimigo.

16 comentários:

  1. Excelente texto! Vá em frente! É assim que se faz!

    Luiz Oliveira

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  2. Bom texto. Simples, direto e dramático no seu apelo legítimo.
    Vou compartilhar. Façamos a nossa parte.

    Antonio Araújo

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  3. Eu gosto dos hangouts pois servem para lembrar-me que não estou só. Lembro-me de um dos primeiros do Lobão, onde ele contou que perguntava entre sussurros se a livraria tinha algum livro do Olavo e que as vezes parecia até que estava pedindo uma droga. he he he! No começo isso também acontecia comigo.

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    1. Certo, Janaína! O valor gregário dos hangouts é imenso.

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  4. Excelente texto.
    Concordo com seu pensamento e mesmo venho tentando há algum tempo criar uma espécie de confraria virtual para trocar idéias (assim mesmo, sem novo acordo ortográfico), ajudar-se mutuamente, aumentando o tráfego em nossos respectivos blogs e "trocando figurinhas". Talvez possamos incomodar mais se estivermos de uma certa forma unidos, na medida do possível.
    Sou um escritor e comecei recentemente a fazer palestras onde posso para tentar abrir os olhos das pessoas.
    Colocarei um link de seu blog lá no meu espaço.
    Boa sorte.

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    1. Prezado Condé, muito obrigado! Vamos, sim, unir forças para "incomodar". Boa sorte a nós.

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  5. Porra, em vez de clicar em "publicar" cliquei em "excluir" para o comentário do sr. Paulo Santiago. Peço desculpas e agradeço pela apreciação.

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  6. Caro Sr. Colombo,
    Acredito que o excessivo "convívio" pela internet com pessoas que têm os mesmo interesses (políticos) que o nosso nos dê uma visão distorcida da realidade. Como acompanho e leio muito colegas não-esquerdistas, acabo imaginando alguns desentendidos já foram resolvidos e que algumas coisas são óbvias, como o PSDB ser socialista, o Nazismo ser socialista e que a direita brasileira só existe dentro de cada brasileiro mas não tem representação política. Acontece que quando vou conversar com colegas de "carne e osso", vejo que quase todos ainda acreditam no discurso corrente e não entendem o que estou falando, geralmente causo um silêncio na roda, pois ninguém tem nem como contribuir, tamanha a novidade. De todos os meus amigos e conhecidos, apenas 2 conhecem o Olavo e lêem o Reinaldo Azevedo. Essa impressão de "onda conservadora" é só uma marolinha (parafraseando o molusco) e ainda não chegou ao povo. Temos que continuar nos movimentando, por todos os meios possível, mesmo que de forma atabalhoada. Abraço!

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    1. Concordo plenamente. A maioria dos brasileiros são absolutamente ignorantes.

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  7. Branco do RS falou:
    Muito bom Colombo! Temos que passar essa bola adiante, antes que seja tarde!
    O custo p/ implantação desse Socialismo/ Comunismo p/ o Brasil será a ruína o desastre! É muita gente para ser "comprada", apesar do brasileiro se vender "facilzinho", não haverá tanto dinheiro e cargos! O Brasil que trabalha será sufocado! Para isso, é certo que haverá expropriações! Mas porque os grandes e médios empresários e proprietários, não estão mobilizados? Eles que deveriam fazer a frente. Aposto que você não é rico, mas está preocupado com o rumo que este País está tomando! Garanto que as pessoas que estão fazendo a frente atualmente, serão pouco afetadas economicamente!

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  8. O texto foi na mosca. Uma reflexão que muitos deviam fazer.
    Cheguei via MSM.. Parabéns, tem textos muito bons no blog!

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  9. Falta no Brasil gente disposta a ser um "proletário intelectual", um "carregador de piano", aquele jogador sem tanto brilho, mas disposto a dar a vida pelo time. O professor Olavo, influência maior dos conservadores brasileiros, tem trabalhado na formação de uma casta de intelectuais de alto nível, e, certamente, se alguma solução existe para o país, ela passa por aí. Entretanto, seja por incapacidade pura e simples, seja porque descobriram o mundo intelectual muito tarde, ou porque simplesmente não possuem vocação para isso, a verdade é que a grande maioria das pessoas nunca estará preparada para assumir um posto muito destacado. Entretanto, isso não impede que estas pessoas tenham um papel propagador importante, iluminando o ambiente que frequentam, traduzindo livros, escrevendo artigos de divulgação em linguagem acessível para as massas e etc. A hegemonia esquerdista não foi construída apenas por personagens de vulto, mas por milhões de pessoas sem nenhum talento especial, mas com disposição de doar e se sacrificar pelo ideal no qual acreditavam. Temos que fazer o mesmo.

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  10. Já podeis, da Pátria filhos,
    Ver contente a mãe gentil;
    Já raiou a liberdade
    No horizonte do Brasil.
    Já raiou a liberdade
    No horizonte do Brasil.

    Brava gente brasileira!
    Longe vá... temor servil:
    Ou ficar a pátria livre
    Ou morrer pelo Brasil.
    Ou ficar a pátria livre
    Ou morrer pelo Brasil.

    Os grilhões que nos forjava
    Da perfídia astuto ardil...
    Houve mão mais poderosa:
    Zombou deles o Brasil.

    Brava gente brasileira!
    Longe vá... temor servil:
    Ou ficar a pátria livre
    Ou morrer pelo Brasil.

    Não temais ímpias falanges,
    Que apresentam face hostil;
    Vossos peitos, vossos braços
    São muralhas do Brasil.

    Brava gente brasileira!
    Longe vá... temor servil:
    Ou ficar a pátria livre
    Ou morrer pelo Brasil.

    Parabéns, ó brasileiro,
    Já, com garbo juvenil,
    Do universo entre as nações
    Resplandece a do Brasil.

    Brava gente brasileira!
    Longe vá... temor servil:
    Ou ficar a pátria livre

    E a primeira vez que venho a esse site, esse hino que não é mais ensinado em escolas talvez seja uma forma de mostrar o que precisamos nesse Brasil. Viva ao Brasil!!!

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  11. Estou pensando em botar um adesivo no meu carro " leia olavo de carvalho " ou midiasemascara.com será que é viável?

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