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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Indolence, égalité et stupidité


Sem igualdade de propósitos e ações não há igualdade de resultados. E não há canetaço estatal que possa mudar isso.

O atual presidente da França, sr. François Hollande segue a escola do ressentimento marxista e, percebendo que suas teorias não se aplicam à prática, em vez de rever a teoria, procura reformar a realidade e dar sua contribuição para a construção de uma sociedade de molengas amparados pelo Estado - conforme mostra artigo do The Wall Street Journal de 15 de outubro de 2012.

Não é necessário refletir muito para perceber que a medida de proibir a lição de casa -- além de ser uma demagogia das mais baratas e inócuas no que se refere à quixotesca luta contra a desigualdade -- pretende aumentar a hegemonia do Estado na formação integral das pessoas. Se já não bastasse a obrigatoriedade de uma educação estatal (ou privada, mas com diretrizes estatais) completamente ideologizada, a idéia é avançar o domínio sobre a mente infantil em formação, eliminando talvez o único momento em que ela poderia pensar por si própria ou sob uma influência "não-contaminada".


França pretende banir a lição de casa.
Em nome da justiça social e da igualdade, François Hollande quer que todo aprendizado se dê na escola.

François Hollande tem um novo e ousado plano para combater a injustiça social e a desigualdade na França: banir a lição de casa. Na semana passada, ao apresentar suas propostas para a reforma educacional, em Sorbonne, o presidente francês declarou que “se queremos restabelecer a igualdade, [a lição de casa] deve ser feita com o suporte da escola às crianças”.

A proibição de tarefas extra-classe pode colocar a França na vanguarda da moda pedagógica, embora não seja um ato sem precedentes. Recentemente, uma escola fundamental em Maryland substituiu o tema de casa por 30 minutos diários de leitura após as aulas. Uma escola alemã também está testando uma nova forma de eliminação da lição de casa: prolongou as aulas e passou a oferecer atividades extra-curriculares, como esportes e música.

Esses pequenos experimentos objetivam dar mais liberdade aos alunos, de modo que eles se destaquem por conta própria. Mas o sr. Hollande quer exatamente o oposto. Como o ministro da Educação, Vicent Peillon, disse ao Le Monde, o Estado deve “ajudar todos os estudantes em suas tarefas, em vez de abandoná-los aos seus recursos privados, incluindo questões financeiras, como ocorre em vários casos atualmente”. O problema, em outras palavras, não é a lição de casa per se – mas sim que algumas casas são mais propícias ao desenvolvimento de tarefas escolares do que outras.

Aqui começamos a perguntar-nos: os franceses estão perdendo a cabeça? Felizmente, não. De acordo com o Institut Français d'Opinion Publique, mais de dois terços da população é contra a medida. Assim, espera-se que, mesmo na terra da égalité, o Estado não consiga igualar tudo à força. Também é reconfortante saber que a maioria dos franceses acredita que se deve ensinar às crianças que é necessário ter iniciativa e responsabilidade, independente de desculpas ou contingências.

Mr. Hollande, no entanto, segue fora do passo. Na Sorbonne, ele ressaltou que a escola é o lugar onde “a criança se torna o cidadão do futuro”. Talvez, suas idéias sobre lição de casa digam algo sobre que tipo de cidadão do futuro ele deseja ver.


Tradução de Mateus Colombo Mendes. 

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